segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

No mar... num barco



Frescor, calor e vento...

Balança com segurança.

Aqui não passa o tempo;

Aqui posso ser criança.

Abre-se os braços;

Jack e Rose a voar.

Despede-se do cansaço;

Se ver livre e flutuar.

De frente com a marola;

De costas para a cidade.

Volta a ser rapazola;

E se esquece da idade.

Por fim chega a tempestade;

Sente a água na face;

É dominado pela liberdade;

E é como se tudo passasse.

(Maryna Corrales Maturano Godinho)

Ps: E eu que achava que poesias era coisa só de quem sofria de amor platônico....

domingo, 25 de janeiro de 2009

Depois de muito tempo sem escrever. Resolvi tentar retomar a atividade escrita. Não sei bem o que tanto vou escrever daqui por diante. Poemas novamente? Acho que não, o sofrimento era combustível para eles, mas não digo nunca, talvez um dia eu descubra um novo gás para escrever poesias. Crônicas ou contos? Talvez! Livros? Romances? Meu sonho! Porque não?

Organizei aqui todo o meu trabalho literário que eu julguei ser proveitoso para alguma coisa ou para alguém. E de agora em diante, eu espero, colocarei as minhas novas criações.

Hoje algo estralou na minha cabeça, que eu devo voltar a escrever. Então, fui em busca dos meus textos antigos, nos meus inúmeros blogs perdidos e abandonados, mas tive uma surpresa, achei o meu texto novo (Ser magra ou gorda?) no blog de uma pessoa que eu não conheço. Após isso eu percebi que sim, eu talvez tenha algum talento.

Não sei bem o que vou escrever, para quem ou para que. Mas algo eu vou fazer por mim mesma. Se esse sempre foi o meu sonho. Por que deixá-lo para trás?

Texto: Ser Magra ou gorda (2009)

Um dia você acorda e põe aquela calça jeans que você não colacava há alguns dias - e por alguma razão ela não te serve.
Ou, um dia você revela uma fotografia sua e leva um susto: "Quem é essa pessoa gordinha que está na foto? Eu não posso acreditar que seja eu! Eu não sou assim!"
Você passa, então, a se esconder. Se esconder das outras pessoas e se esconder de si própria. Sim, você põe aquela blusa mais folgada, compra uma calça 42/44 de "lycra" ( a feita de jeans não serviria) escura, se olha no espelho encolhe a barriga. E quase acredita que você é uma pessoa normal, uma pessoa que não está acima do peso. Não que seja anormal ser acima do peso, mas não é o que a sociedade espera de você.
E você diz: "Não, eu não me importo com esses padrões impostos pela mídia, eu sou linda assim. Eu nem sou muito gorda." - e encolhe a barriga ao dizer isso.
E um dia você vê uma foto sua, sem ter feito pose. Sem a barriga encolhida e você percebe que provavelmente você não lembra de encolher a barriga o tempo todo. E você nota que as pessoas, estão vendo que você não está magra.
E você passa a culpar os "2 kilinhos a mais" por tudo na sua vida. Se você é estudante, culpa o seu peso por você ser a última a ser escolhida para o time das meninas. Se você está desempregada, você culpa o excesso de peso por não ser chamada após as entrevistas. Se você é solteira, culpa o sobrepeso por estar "encalhada". Sim, as suas amigas magras e "loiras", estão namorando, estão se casando. E você, você está encalhada. E você, pensa quem vai dar bola para uma gorda. E aí, você chora, você come um tablete de chocolate, você devora a geladeia inteira, você não dorme à noite e você passa a ter pena de si mesma.
Aí, um dia você resolve começar aquele regime na segunda-feira: dieta da sopa, dieta da usp, dieta da lua e etc. E o regime não chega nem na sexta-feira. Um dia você resolve caminhar, mas desiste antes mesmo de trocar de roupa e colocar o tênis.
E pensa: "Magra? Quem se importa em ser magra? Isso é besteira."
Mas antes fosse assim, antes você pensasse assim e conseguisse ser feliz, se aceitar e se perdoar por ser "gordinha."
Um dia você percebe que quem impede a sua felicidade é você mesma, é o seu complexo. As pessoas talvez não sejam tão más, tão metidas, tão inquisidoras. ´É você que se fecha e as desencoraja a chegar perto de você.
Aí você resolve ir no cabelereiro, comprar roupas novas, mas ainda falta alguma coisa. Sim, falta o seu corpo. Você finalmente, admite que você se importa sim com uma boa forma. Você resolve dar o braço a torcer para as magras. E admite: "Sim, eu quero ser magra! Sim, para mim isso não é bobagem. Eu realmente me importo com a aparência. Dane-se esse discurso que o que importa é a beleza interior. Isso pode ser verdade, mas eu não sou feliz assim. Até por que eu tenho tanto medo de ser rejeitada que eu nem mostro mesmo a minha beleza interna."
Então, agora que você está resolvida. Agora vai!!!
Você escolhe uma dieta, você escolhe alguns exercícios. Ou então, você vai ao médico, a nutricionista (você já viu "o nutricionista?", eu ainda não...). Você vai ao supermercado compra coisas light, compra roupas de ginástica, passa a ficar vidrada por balança. Você não pode ver uma que você já sobe em cima. De tanto subir, vc emagrece 1 kg só desse "step", mas subir tanto na balança não é bom. Cada dia dá um peso diferente e você fica piradinha com isso. Mas você, não desiste.
Você tropeça, você cai, você enfia o pé na jaca, mas você não desiste. Está sempre disposta a começar de novo.
E finalmente, depois de alguns meses de piração total, você um dia vê uma foto sua e você pensa: "Quem é essa moça magra na foto? Será que tiraram foto da pessoa errada? Não pode ser, essa pessoa se parece comigo, mas esse corpo não é meu!"
E você sente uma enorme dificuldade em associar a sua nova imagem, com a imagem antiga que você tinha de si mesma. Você olha para baixo e enxerga uma pessoa enorme. Você se olha de lado no espelho e vê uma pessoa magra. Você se olha refletida num automóvel e se vê disforme, toda redonda e pensa: "Essa sim, sou eu." Depois, você passa ao lado de uma vitrine e vê um reflexo magro e pensa: "Essa não sou eu."
Um dia você vai àquela loja baratinha, onde não tem provador e compra tudo G. Aí você chega em casa e vê que tudo ficou largo. E você não entende. Você não sabe mais que tamanho de roupa você usa. Então, você resolve ir numa loja mais cara "só para experimentar as roupas", e você cabe em roupa M, cabe até em algumas P. Aquela calça 38 te serve, não todas as 38, mas algumas delas. A calça 40 fica larga. E você não entende bem: "Será que eu uso 39?"
E você acaba comprando todas as roupas, até se endivida, mas você pensa: "Vale a pena! Usar uma calça 38, vale a pena!"
E você vai ao cabelereiro de novo, ou faz em casa mesmo, e se sente toda poderosa. E você veste a calça 38, a blusa P ou M (depende do modelo) e sai na rua. E parece que você está andando em câmera lenta. Você se sente a Gisele Bundchen, seu cabelo até balança ao vento. E você escuta: "Fiu, fiu." E você sente vergonha, nem gosta muito, mas pelo menos é melhor do que passar desapercebida ou ser ponto de referência: "Você tá vendo aquela gorda ali? Você vira lá na esquina em que ela está."
É a sociedade é preconceituosa sim, é cruel ás vezes. Mas você era muito mais cruel consigo mesma, porque você se importava com isso. Você deixava que as pessoas a chamassem de gorda. Você se deixava ser gorda. Você se fechava por isso. Talvez as pessoas nem fossem preconceituosas, mas elas percebiam que o seu ponto fraco era esse e apelavam para isso quando queriam te ferir.
Você não permitia que o príncipe encantado a despertasse do sono profundo em que se encontrava. Era você que não queria acordar, era você que se bloqueava, era você que impedia a sua felicidade.
Mas o importante é que você está encontrando o seu caminho. E você não quer mais andar para trás. Talvez você não esteja acostumada a comprar roupas menores, talvez você ainda não se enxergue mais magra. Mas o importante é que você começou a mudança. E começar, já é a metade de todas as ações.

(Maryna Corrales Maturano Godinho)

Pessoas (2005 - meu poema preferido)

Pessoas existem como barcos.
Elas se embalam em ondas.
Ondas que vão calma ou bruscamente,
Num doce e amargo balanço.

Pessoas passam por pessoas.
Pessoas que desconhecem a sua existência.
Amam sem nunca serem conhecidas
E sentem esse amor do fundo da alma.

Existem pessoas que passam por nossas vidas
E moldam o nosso ser,
Sem nunca serem tocadas por nós.
São pessoas inatingíveis.

Estão dentro de nós e fora do nosso alcance.
Vivem em nossos belos sonhos
Como personagem principal.
Nunca se tornam realidade.

Pessoas encontram pessoas
E sem explicação nunca mais se deixam,
Assim como sem explicação se vão
E sem explicação mesmo distantes, permancem.

Ps: Meu único poema que nos dias de hoje eu ainda o considero verdadeiro e coerente.

Compartilhar a vida - Sharing the life (2006 para o meu marido, lido no Valentine's Day da Uniso)

Compartilhar a vida

Não é sempre que encontramos pessoas que nos elevam para perto de Deus.
Não é sempre que alguém parece que está caindo do céu sempre que você precisa.
E também é tão difícil encontrar nesse mundão, alguém que nos compreenda, ria conosco e nos apóie.
Ser um ser humano é mesmo maravilhoso, nós não somos perfeitos, mas temos boas qualidades. Estamos na Terra, mas levamos conosco um pedacinho do céu e estendemos esse pedacinho para outro alguém.
Uma boa palavra pode mudar a vida de uma outra pessoa, transformar um dia ruim, no melhor dia do mundo. Um sorriso pode provocar um outro sorriso. E dois seres com motivos para a tristeza, se tornam felizes apenas por ter um ao outro.
Que sentido teria uma vida solitária, se há tanta alegria em se compartilhar? Que sentido teria a nossa vida sem ninguém para compartilhar? Para que acontecer alguma coisa boa conosco, se não temos com quem dividir? E como seria mais doloroso ainda chorar, se não tivesse um ombro para derramar as nossas lágrimas?
Para que ganhar uma batalha se não temos um lar para estarmos de volta vitoriosos? Para que chegar de viagem se não há ninguém nos esperando em casa para nos dar um abraço? Porque sermos felizes se não podemos dar felicidade a quem amamos? Porque viver? Se não estamos com o coração vivo? E que triste seria morrer sem que ninguém sentisse a nossa falta.
Ainda existem aqueles que cismam em viverem sozinhos. E existem aqueles que sabem que não são perfeitos, que sabem que vão errar, que podem prejudicar alguém, mas que mesmo assim não se intimidam diante de suas incertezas e fraquezas e vão assim mesmo como estão ao encontro de outro alguém. Porque nós nascemos para compartilharmos, um é a escada do outro e juntos chegaremos até o Céu.


We don't usually find people who elevate us close to God. It's not usual that somebody seems to be falling from the sky everytime that we need. And it's also so hard to find in this big world, somebody who understands us, laughs with us and supports us. It's wonderful a human being, we aren't perfect, but we have good qualities.
We are in the Earth, but we bring a little piece of heaven with us and we give it to another person. A good word can change another person's life and to make a bad day into a beautiful day. A smile can make another person smile. And two sad people can become happy for just belonging to each other.
What meaning would be in our lives, with no one to share them? Why happening a good thing in our lives, if there's no one to share it? And how it would be so painful to cry, if there are no shoulder to hold our tears?
Why winning a war, if there's no home to be in return as a victorious person? Why arriving from a trip, if there's no one waiting for us at home to give us a hug? Why to be happy if we can't make happy the person who we love? Why living if there are no hearts alive? And what sad would it be to die, if there's nobody missing us.
And there are people who want to be lonely. But there are those who know that they aren't perfect, who know that they can make a mistake or can harm somebody, but they don't give up, ahead of them there are uncertainties and weakeness and go on just the way they are to meet another one. Because we were born to share. One person is like a step for another one and together we can get to heaven.

A menina e o escorpião (2005)

A menina que existe em mim
Muito se queixou ao Escorpião.
Sábio, o Escorpião dizia:
- Em vez de se queixar, equipe-se.
Quisera eu ter a vida inteira pela frente.
Você tem, você pode tudo.

Pobre menina!
Queria apenas um carinho.
Enfadonho Escorpião!
Dizia a ela palavras duras.
Posteriormente, o Escorpião proferia:
- Não sei como você me agüenta.
Interiormente, a menina dizia a si mesma:
- Porque gosto de você.

O Escorpião propôs metas à menina.
A menina aceitou, porém sentia-se incapaz.
Com o tempo a menina iniciou uma transformação.
O Escorpião disse que a esperaria no fim do caminho.
Ao objetivo como um todo a menina não chegou.
Mas alcançou o Escorpião.

Por longos e prazerosos momentos,
A menina não mais se queixou
E o Escorpião não mais foi maçante.
Uma noite interminável,
Um plano executado
E algo muito especial.

A menina voltou ao ponto de partida,
Mas se importava demais com o Escorpião.
O Escorpião entristecendo o seu sorriso dizia:-
O foco é você.
A menina queria percorrer o caminho
Ao lado do Escorpião.

Esmorecida a menina quis matar o Escorpião.
Não conseguia assimilar suas palavras.
Preferiu pensar que o Escorpião não a queria bem
Do que pensar que ela o queria só para si
E isso não era possível.

O Escorpião era livre, o Escorpião estava bem assim.
Querendo-o demais para conseguir matá-lo,
A menina resolveu fugir do Escorpião.
Porém, não conseguia por muito tempo.
Fazia coisas absurdas para chamar a sua atenção.
Aumentava mais ainda a distância entre eles.
Fazia o Escorpião dizer: - Arrependimento.

Algum tempo depois a menina percebeu.
Percebeu que não precisava chamar a sua atenção.
O Escorpião sempre estivera ali e sempre estará.F
oi ela que o afastou de si.
O Escorpião era duro porque ela se julgava incapaz.

O Escorpião é sozinho e ela é menina.
Uma menina que o Escorpião quis lhe mostrar o melhor.
Mostrar o caminho, a vida e o seu mundo particular.
A menina a quem o Escorpião dizia:
- Eu enxergo essas coisas em você e enxergo além.
Enxerguei uma mulher maravilhosa de beleza e caráter
Que tem um grande caminho a trilhar – só depende de você.

A menina não é mais menina, tão pouco é mulher.
A menina ainda é uma garotinha.
Com todo o romantismo de menina
E com todo o poder de mulher.
A menina agora compreende o Escorpião.Para ela o Escorpião significa: VIDA.

Hoje a menina está cada vez mais perto de se tornar mulher.
A menina conseguiu coisas que o Escorpião
Acreditava que ela conseguiria.
A menina vai conseguir todas as outras coisas.
Hoje ela sabe, ontem quem lhe contou foi o Escorpião.
Hoje ela também acredita.

Ps: Hoje a menina é realmente uma mulher e não convive mais com escorpiões, só com uma balança...nos dois sentidos...hahahaha

Eu sei (2005 - outra fase)

Eu sei que me destruíras
Como ninguém jamais o fez
E eu sei que tu me amarás
Da forma como ninguém jamais amou.

Eu sei que espero em vão
Sei que tu não serás meu
Mas o que posso fazer
Se eu sou toda sua?

Sei que me decepcionarás
Sei que eu vou te deixar
Mas te amo tanto
Que não posso evitar.

Sei que vou querer desaparecer
Que vai doer e que vai sangrar
Mas o meu amor por você
Me faz arriscar.

Sei que vou me magoar
Sei que o sonho vai acabar
Mas agora somente importa
Os momentos que passarei com você.

Ps: Foi exatamente assim... e foi a última vez que eu escrevi até esse ano....

Quando (2005 - outra fase)

Quando não estás aqui,
Sinto no meu peito um tremor,
Minha face arde feito brasa
E me perco em amor.

Quando fecho os meus olhos.
Logo penso em ti.
Recrio cenas e conversas
E passo a tudo sentir.

Quando estás aqui,
Sinto vontade de parar o tempo.
Tenho tudo e nada a dizer,
Mas tudo se passa em meu pensamento.

Quando canto uma música.
A música soa como parte de mim,
Porque logo penso em ti,
E a vida fica mágica assim.

Quando choro ou rio,
Pode se ver os meus olhos a brilhar.
Minha boca suspira o seu nome,
E me sinto livre para voar.

Quando eu estou aí,
Não sei como é para você,
Mas sinto em seu abraço
Alegria em viver.

Quando eu me vou,
Não sei se você sabe,
Mas eu deixo um pedacinho de mim,
Para que isso nunca se acabe.

Quando isso chegar ao fim,
Não sei como vai terminar,
Mas vou te carregar em mim
Por onde eu andar.

Ps: Não carreguei ninguém no fim...

Primavera - para o denominador "mor" (2005)

Vem chegando a primavera,
E as lembranças vêm juntinho.
Saudades daquilo que era,
Não mais move meu moinho.

Voltar no tempo quisera,
E fazer tudo igualzinho. A
h! Aquela primavera,
E aquele amorzinho!

Nestes versos comemoro,
Um ano de amizade.
Quero dizer que o adoro!

Meu amor era verdade.
E por ti não mais choro.
Daquele dia só a saudade.

Soneto do desencontro (2005 -outra fase)

Foi você que me deixou,
Ou fui eu quem já desistiu?
Foi você que nunca me amou.
Ou será que amou e partiu?

Será que nós nos perdemos?
Será que não nos encontramos?
Será que não saberemos,
Se um dia nos amamos?

Eu sei tudo o que eu senti.
Eu sei que muito te amei.
Eu sei que num sonho vivi.

Eu sei que assim me encontrei,
Que olhei nos seus olhos e vi
O amor que um dia eu sonhei.

Soneto do amor a deriva (2005 - outra fase)

Por onde andas tu que não vens?
Deixa vazio o meu coração.
É o único que me tens,
Mas é fruto de uma ilusão.

Cadê você que eu mais quero?
Faz-me lágrimas derramar.
Não sei mais se te espero,
Ou se eu deixo de te amar.

Quisera eu esquecer assim,
Mas eu não me pertenço mais.
Pudera eu ser dono de mim,

Mas tenho um amor grande demais.
Antes o tivesse pra mim,
E poder amá-lo ainda mais.

A mocinha-princesa e o moço vilão (2005)

Ama-se minuciosamente
Com toda a emoção.
Fervor enlouqüente
Que aquece o coração.

Esgota-se a esperança,
Vem a implacável dor.
Deixa de ser criança
E morre-nasce o amor.

Venera-se o bandido,
O mocinho e a mocinha.
Amor pela ladra o moço tem sentido.
Por amor ao moço-vilão, a moça definha.

O tempo se transpôs,
A princesa curte o jardim.
A verdade se sobrepôs,
O mal entendido chegou ao fim.

A moça colhe flores solitária.
O moço deseja a moça recompensar,
Mas ama a convencida-otária
E como sempre a moça vai abandonar.

Merece a heroína encontrar,
Verdadeira e duradoura felicidade?
Veio ao mundo só para amar,
Essa é a sua realidade.

Mais tempo se vai
E o instinto permanece junto a arrogância.
Mas um dia a verdade sobressai
E a moça poderá não ter tido mais tolerância.

Fica a princesa casada com o plebeu.
A luxúria criou asas e voou.
O vilão-moço-velho adoeceu.
E o mundo não negará jamais que a princesa o amou

Ps: As coisas quases terminaram assim... Espero que alguém não adoeça.....

Meu coração (2005)

O que eu carrego no peito,
Não é acarinhado pelas mãos de um homem.
É acolhido pelo seio da minha família
E dividido entre meus amigos.

Espera um pôr-do-sol
E recebe um arco-íris.
Não sente o calor,
Mas pode apreciar cores.

Se queima com fogo,
Mas nunca é aquecido.
Se banha com a luz,
Mas nunca é iluminado.

Carrega o mundo com seus músculos,
Mas não sente o peso de alguém.
Abraça o mundo com afinco
E nunca se sente abraçado por ninguém.

Ps: Até que um dia alguém me abraçou para sempre

Paz (2005)

É o que toma conta de nós
Numa tarde de domingo.
É o silêncio harmônico
Que se manifesta no sono.

É a serena tranquilidade
De uma paisagem de flores.
É a beleza que se manifesta
Na contemplação de uma obra de arte.

É tudo o que brilha intensamente
Dentro da alma de cada um.
É tudo o que se apaga,
Possibilitando uma maior reflexão.

É a certeza da felicidade
A que cada indivíduo foi destinado.
É o descanso transcendente
Que desperta para a eternidade.

Loucura (2005)

Reconstituir-me por completo.
Esses sentimentos me fragmentam
Como o estilhaço de um vidro.
Amando enlouquecidamente...

Amo-te, amo-o e amo-me.
Nada signifca para mim
O amor de quem me admira.
Vivo em ti, subsisto por ele e moro em mim.

Vivo em sua casa sorrateiramente,
Espiono-te, nada vejo e tudo sei.
Ciência de devaneios e realidade
Cômoda, auto-favorecida e falsa.

Subsisto por ele, eles todos.
Procuro neles nova poesia,
Alegria de viver e sentir.
Enganoso amor, terna alegria.

Moro em minha alma,
Atormentada, calada e faladeira.
Sentindo o prazer da paquera
E a ausência da proteção-calor.

Minha neurose é minha arte.


Ps: Eu era neurótica mesmo! Será que foi a cura da neurose que me fez parar de escrever por tanto tempo?

Felicidade (2005)

Estrela que não está no céu,
Brilho que não está no olhar do próximo,
Bem que não está nas coisas
E sopro que não está na vida.

Revigoramento que não está no descanso,
Luz que não está no dia,
Luar que não está na noite,
Paixão que não se encontra em beijos.

É uma estrela que está em nosso ser,
É brilho que está em nosso olhar,
É bem que está nas nossas conquistas,
É sopro que está em nossa respiração.

É revigoramento que está no nosso sono,
É luz que está na clareza de nosso olhar,
É luar que está nos olhos de quem vê,
É paixão que está no nosso coração.

A felicidade está em nós mesmos!

A tarde da alma (2005)

Já não é mais alvorecer.
Quando clareou eu estava presente,
Vi o azul do céu se tornar mais suave
E escutei o sol cantar os seus raios para o dia.

No momento em que o astro-rei
Imperou no meio do céu,
Todas as coisas ficaram iluminadas.
Neste instante tudo pareceu-me diferente.

Fui sorridente ao lar por meio de um coletivo,
Ouvindo a sútil melodia desta sexta-feira.
Um pouco a frente um moço roubou-me a atenção,
Ao primeiro instante me lembrou alguém.

Fiquei procurando meu afeto neste rapaz.
Tinha a mesma voz de garoto,
A mesma meiguice no sorriso
E o mesmo brilho no olhar.

Reinava absoluto entre seus amigos,
Tomava o folêgo de todas as moças.
Não olhei diretamente em seus olhos,
Mas pude imaginar o seu semblante de cobiça.

Sorri por ver tão encantadora criatura
E me alegrei pela lembrança de alguém.
Saltei de meu transporte e bati minhas asas,
Saí voando pela tarde da alma.

Ps: Este texto não tem um denominador comum com os postados anteriormente.

Palavras (2005)

Não que a menospreze ao nada,
Sou cega pelos olhos da paixão.
Somente vejo o meu coração atormentado
E meu cérebro confuso em palavras.

É ela a companheira de seu luar.
Sou eu que olho para a lua,
Procurando pelo teu olhar
Por noites extasiantes e fúnebres.

Posso estar redigindo palavras bobas,
Regredindo minha vida em devaneios.
Mas o que fazer com esse coração inconformado?
A vida que se faça por si só!

Não moverei palha alguma se não por palavras.
Palavras proferidas de meu coração desventurado.
Repleto de amor por ti, ausente!
Sempre meu senhor não confias em mim.

Talvez palavras seja pouco.
Palavras não é tudo o que tenho.
Tenho o meu remanescente amor,
A sua cegueira e a dor de outra o possuir.

Viva a sua vida assim se o desejares,
Entretanto, se meu coração eleger outro,
Eu viverei a vida lindamente.
E um dia tu, boquiaberto, se lamentarás.

Tatuagem (2005)

Quanto vale o meu amor,
Se ele existe por meus versos?
O objeto de mas singela adoração
Menospreza-o de toda consideração.

Será que é valioso somenta para mim?
A ti o que tens na cama mais importa.
Não lhe amei o suficiente?
Porque não podes me amar também?

Alguns instantes até eu desisto. S
ou sombra do que fui para ti.
Não sei ainda se percebeu,
Mas magoa-me a tua indiferença.

Deus faz tudo certo.
O coração do homem é que se engana,
Se engana e sonha.
Sonha com terras inabitáveis.

Sou lúcida, sim.
Mas e aquela força que nos impulsiona,
Nos fazendo acreditar no que sonhamos?
E a vontade de seguir o coração?

Você ainda sabe escutar o teu,
Ou eu que sou muito ingênua?
Por não acreditar que no seu coração
Possa estar tatuado outro nome: VAZIO.

O tempo e a areia (2005)

Tão abalada pelos meus sentimentos,
Tecendo um furacão dentro de mim,
Me entreguei a falsa calmaria,
Dando espaço a derrota.

Agora sinto o meu coração
Enxarcado em tempestade.
Dei brecha para a areia voar
E me aterrei na praia.

Será que cheguei tarde demais?
Embora, acredito que nunca é tarde.
Há coisas na vida que o vento não leva
E o tempo somente apura a degustação.

Será que toda esta terra úmida
Poderá virar um vaso como eu?
Um vaso moldado com tanto carinho
Que desconhece outra razão de ser.

De meu oleiro se faz meu coração,
Se voltasse no tempo não me quebraria.
Se meu oleiro me permitisse,
Lhe daria uma cerâmica por semana.

Pagaria a sua recompensa
Com o suor de trinta dias.
Para ser moldada por suas mãos.
Apenas dois dias por semana .

Prisioneira de mim mesma (2005)

Ao assumir novamente o meu amor,
Sinto a alma mais leve.
A felicidade ainda está longe.
A desdita porém, é branda.

Recordar momentos ao seu lado,
É a mais doce tortura.
Um amor de toda uma vida,
É minha sentença de solidão.

Uma sobrevida de lembranças,
É meu veredito de culpada.
Sou uma criminosa punida,
Pago lhe devotando a juventude.

Nem a justiça me aceita,
Pago por um crime que só eu reconheço.
Talvez nem a morte me liberte,
Minh'alma está presa a sua.

A eternidade é minha esperança,
Espero com ela habitar minha cela.
Se meu juíz não me condenar,
Terei que me arrepender de meu delito.

Ao meu amor incurável (2005)

Dizem que o tempo cura todas as feridas.

Então, eu fiquei esperando

O tempo curar o meu amor.

Meu amor doía como ferida,

Não cicatrizava de forma alguma.

Ás vezes parecia que minha dor

Me tirava a vida.

Como eu poderia viver,

Se só pensava em esquecer você?

Quando esquecia-me do amor,

Eu me lembrava da dor.

Céus! Quantas vezes me neguei.

Me neguei o direito de amar você.

Preferi pensar que não gostas de mim

Do que pensar no meu sentimento.

Hoje a vida passa leve por mim,

Deixei livre o meu coração.

Deixo o meu sorriso dizer o seu nome

E no sono lhe entrego minh'alma.